Imobiliário mantém “crescimento claro e firme”

Ana Tavares |
Imobiliário mantém “crescimento claro e firme”

«Sabemos que o mercado já não cresce da mesma maneira, por isso convém ter as cautelas adequadas à “mudança de estação”», comentou Francisco Rocha Antunes, Chairman do RICS em Portugal, durante a apresentação do Iberian Commercial Property Monitor, em Lisboa.

Esta é uma das principais conclusões do relatório, apresentado esta quarta feira pelo RICS e pela Iberian Property nos escritórios da CMS em Lisboa. Este inquérito, respeitante ao 1º trimestre deste ano, tem como objetivo «dar o “estado do tempo” do imobiliário», resumiu Francisco Rocha Antunes, Chairman do RICS em Portugal. Segundo o responsável, «a maioria dos respondentes continua a acreditar numa capacidade de crescimento do valor do capital, apesar de não tão marcada como nos últimos anos. Mostra que podemos continuar a crescer em valor na Europa».

Perto de 70% destes inquiridos acreditam que, apesar de um abrandamento anunciado do crescimento das economias, os próximos 3 anos vão continuar a ser «interessantes a nível da valorização do capital». Portugal e Espanha estão atualmente acima da média europeia no que diz respeito à valorização do investimento, «apesar de o sentimento ser um pouco menos positivo que no trimestre passado», segundo o responsável.

 

Escritórios continuam “com grande força”

Em Lisboa, «os escritórios continuam com grande força em termos de valor. Há um reforço da expetativa de valorização dos escritórios prime». Portugal e Espanha estão «bem posicionados em todos os mercados onde o estudo é feito a nível do sentimento do lado da ocupação», como a descida da taxa de desemprego, exemplificou o responsável.

A nova oferta de escritórios em pipeline em Portugal peca por tardia, mas Paulo Silva, Head of Country da Savills, e um dos participantes no debate desta sessão, não se mostrou preocupado: «não vamos ter capacidade de absorção para tudo o que é projetado, mas nem tudo o que é projetado vai avante», numa altura em que «há muita procura no centro de Lisboa e Porto». «Temos, sim, que nos preocupar em colocar esses ativos num mercado que pode não ter track record», como é o caso do Porto. «Os investidores perguntam-nos quais as yields do passado, e nós não sabemos».

 

Retalho é o “patinho feio

O difícil acesso ao financiamento através da banca tradicional ou a os possíveis efeitos do ecommerce no está a levar a uma menor expetativa de valorização no setor do retalho na Península Ibérica, e não só.

Muitos bancos «nem olham para retalho. Há centros comerciais que só conseguem dívida proporcionada por fundos de dívida, que não são os players tradicionais em Portugal», explica Carla André, Managing Director da CR Management. Por outro lado, garante que, no caso da banca internacional, o foco está no ticket da operação, que deve ser «superior a 50 milhões de euros».  

Também a incógnita do ecommerce paira sobre estes ativos. Paulo Silva nota que «haverá uma disrupção na ocupação dos espaços. Há quem veja nisso uma ameaça, há quem veja uma oportunidade por força do recuo dos outros, mas é evidente que o retalho não vai desaparecer».

 

Fim de ciclo começa a instalar-se

Nelson Rego, Chairman da Prime Yield, atesta que «o sentimento por parte dos nossos clientes é de que a “festa” está a acabar». Exemplo disso é o mercado de NPLs, «onde as carteiras já estão a ser colocadas no mercado o mais rápido possível por causa dessa perceção». Contudo, «os fundamentais económicos estão aí, e a tendência é de estabilização deste crescimento», completa.

Em Portugal, o mercado continua a aguardar as primeiras SIGIs, um instrumento que pode ajudar a reter valor em Portugal, segundo os responsáveis. Nuno Santos, Tax Law Partner da CMS, considera que esta pode ser uma alternativa para investidores que querem evitar o conceito de fundo, e sugere  «uma tributação mais baixa por exemplo para residentes, ou tornar as SIGIs elegíveis para investimento através dos “vistos gold”» para fomentar o investimento.

 

Este evento contou com o apoio da CMS e com o patrocínio da Prime Yield Gloval.