Subida dos preços da habitação abranda em ¾ dos concelhos

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A maior parte do país está a registar sinais de abrandamento da subida dos preços das casas. 210 dos 278 concelhos analisados pela Confidencial Imobiliário registaram uma contração da taxa de variação homóloga no segundo trimestre deste ano, face ao verificado no final de 2025.

Segundo os Índices de Preços Residenciais da Ci, apurados ao nível do concelho, os preços das casas aumentaram acima dos 20% em 193 concelhos no final do ano passado, ou seja, em 69% dos mercados monitorizados, dos quais 32 registavam subidas acima de 30%. No segundo trimestre deste ano, os crescimentos acima dos 20% passaram a ser uma realidade em 115 concelhos (41% do total). No entanto, 10 deles ainda registam aumentos anuais acima de 30%.

126 concelhos registam um abrandamento na subida dos preços no trimestre analisado. Em mais de metade, a perda de ritmo não ultrapassou os 5 pontos percentuais, mas entre os restantes 84 concelhos o abrandamento é de pelo menos 10 pontos percentuais.

Segundo a Ci, este travão verifica-se em Lisboa, Porto, e na generalidade das respetivas áreas metropolitanas. Na capital, a taxa de variação homóloga dos preços passou de 18,2% no final de 2025 para 11,1% no segundo trimestre deste ano, e este é o abrandamento mais significativo da região. Na Área Metropolitana de Lisboa, mais de metade dos mercados (12 em 18) reduziram o ritmo da valorização, apesar de ainda registarem crescimentos expressivos – 29,5% no Seixal e 34,6% na Moita, dois concelhos que contrariam a tendência predominante.

Já na região do Porto, a maior parte dos concelhos (6 em 9) abrandou a valorização. Na Invicta, a taxa de variação homóloga passou de 16,6% para 14,6% no período analisado. Aqui, São Valongo e Gondomar a liderar as valorizações, com 26,1% e 27,1%, respetivamente.

Quanto ao Algarve, Faro regista o principal travão, com a variação homóloga a passar de 25,9% para 17,5%. 11 concelhos também registaram abrandamentos, mas os mercados do Algarve continuam a registar subidas muito significativas, acima dos 15% na maior parte dos mercados, com Olhão a liderar com uma taxa de 28,8%.

Mafra, Cascais, Maia, Valongo e Loulé intensificam as subidas

É certo que as Áreas Metropolitanas e o Algarve, enquanto região, registam abrandamentos da valorização habitacional na maior parte dos concelhos, mas incluem também alguns dos mercados que são exceção à regra nacional. Na região de Lisboa, Mafra, Cascais, Loures, Odivelas, Seixal e Moita registaram uma variação homóloga superior à do final de 2025. No Porto, este foi o caso de Maia, Valongo e Vila do Conde, e no Algarve de Loulé, Lagoa, Albufeira e Silves.

A Ci destaca também algumas capitais de distrito que contrariaram a tendência predominante, com intensificação nas subidas dos preços: Coimbra, Beja, Viseu e Leiria. Vila Real distingue-se por manter a taxa homóloga inalterada face ao final de 2025.

Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, explica que “o abrandamento da valorização em três quartos dos concelhos do país, incluindo os principais centros urbanos, mostra que o mercado está a ajustar-se a um novo patamar de preços, depois de um período de subidas historicamente elevadas. Este ajustamento está, no entanto, a ser feito de forma gradual e a partir de taxas de crescimento ainda muito significativas, o que confirma que o desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura de habitação continua por resolver na generalidade do território”.

Os Índices de Preços Ci são apurados com base nos dados reportados ao SIR – Sistema de Informação Residencial, cobrindo a totalidade dos 278 concelhos de Portugal Continental e permitindo uma leitura detalhada da evolução dos preços de venda ao nível local.