Turismo

Perda de 50% na ocupação em 2020 é “cenário otimista”

Ana Tavares |
Perda de 50% na ocupação em 2020 é “cenário otimista”

«Estamos impedidos de fazer receita», afirma o administrador da Porto Bay Hotels & Resorts no âmbito da nova rubrica VI “Conversas Diárias – Especial Covid-19”, que admite que «se tivermos quebra de cerca de metade na ocupação hoteleira, eu não ficaria muito insatisfeito. Esse cenário pressupõe que num prazo de 3 a 4 meses haveria alguma recuperação». Acredita que, no que toca à restauração da confiança dos consumidores, «o turismo pode não aparecer como prioridade». E por isso «as empresas têm de se preparar muito».

Para já, vê com bons olhos «o posicionamento inicial do Governo» em relação ao lay off, e acredita que «o importante é que haja esta disponibilidade, e que construamos uma relação de confiança, não burocrática, que nos permita ter os recursos financeiros para resolver os compromissos num momento em que estamos “amputados” para criar receita».

Por outro lado, «aguardamos com muita expetativa o que o Governo venha anunciar no quadro de uma solidariedade europeia, nomeadamente a clarificação do tratamento dos colaboradores».

No entanto, admite ter «alguma dificuldade nesta fase em fazer grandes projeções. O tema agora é gerir da melhor forma possível a muita informação que nos chega».

 

Aviação: “Terá de haver um plano de salvação muito claro”

Bernardo Trindade identifica como ponto crítico na sobrevivência a esta crise a “salvação” do transporte aéreo, que atravessa «uma crise sem precedentes» e «um esforço financeiro brutal».

O responsável considera que «a estrutura de capital das empresas não tem capacidade de resposta, e terá de haver um plano muito claro de salvação deste setor de atividade, do qual o turismo depende imenso».

 

Trabalhar para ser um “porto seguro” na retoma

A médio prazo, e se a emergência sanitária não deixar marcas de maior, Portugal poderá ser visto como um destino mais seguro aquando da retoma turística.

«Com a crise dos países árabes, Portugal beneficiou da segurança que esses países não tinham, e esse é um tema muito significativo», diz Bernardo Trindade, que acredita que «esse pode ser um tema interessante a prosseguir num médio prazo» e num quadro de atração de investimento.

«Devemos restaurar um ambiente aceitável para que os investidores olhem para Portugal com confiança, e isso demorara a instalar», completa. «Além da saúde, o ambiente de compromisso da sociedade civil também é visto como um sinal de maturidade. No fim do dia, isto tem interesse para quem investe a nível global».