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Investimentos estão “em espera”, mas procura mantém-se

Ana Tavares |
Investimentos estão “em espera”, mas procura mantém-se

Agora que as medidas de confinamento vão sendo levantadas, e o mercado se adapta a uma nova realidade, Paulo Silva, Head of Country da Savills Portugal, salienta que «ainda que as opiniões se dividam, a maior parte dos planos de investimento foram colocados em espera. Contudo, a intenção de investimento mantém-se, assim como a análise de novas oportunidades decorrentes do impacto da Covid-19 no mercado imobiliário».

Segundo a consultora, no primeiro trimestre deste ano, o investimento em imobiliário comercial em Portugal ascendeu a cerca de 1.500 milhões de euros, não refletindo ainda o impacto da pandemia no mercado, que foi mais sentido em abril. Neste mês, toda a Europa registou uma descida para cerca de metade dos volumes de investimento, face ao ano passado.

«A força da localização e a solidez dos market fundamentals vão estar na base de seleção dos próximos hotspots de investimento», acredita Paulo Silva, que prevê que até ao final do ano «o abrandamento no fecho de transações se mantenha».

Contudo, «os elevados níveis de liquidez, um sistema bancário mais capitalizado e preparado com um pipeline mais contido deverão contribuir para uma recuperação mais célere do sentimento positivo dos investidores, colocando equity players e investidores privados em vantagem competitiva. As operações de sale & leaseback em setores como o turismo e retalho, poderão ser a solução estratégica de refinanciamento de atividade».

 

Procura dá sinais de vida

No início de junho, as medidas de desconfinamento começavam a ter algum impacto na procura ocupacional, registou a Savills num inquérito interno feito em 33 mercados de investimento globais. 30% desses mercados registavam subidas neste indicador à data de 3 de junho.

Paulo Silva destaca que «ainda estamos em fase de desconfinamento, sem efeitos expressivos no aumento da procura, mas que ao nível do segmento de escritórios começa a dar os primeiros sinais de ligeira retoma da atividade. A segunda metade do ano deverá verificar uma ligeira retoma mas não ao ritmo observado em anos anteriores que fizeram ultrapassar a fasquia do volume de absorção acima dos 200.000 m²».

O caso pode ser diferente no segmento de retalho, um dos mais afetados pela situação atual. «Observando os resultados obtidos para Itália, Espanha, França, Reino Unido, e Portugal, estes mercados verificaram uma queda moderada ou acentuada (no caso do Reino Unido), confirmando que este segmento é dos mais expostos à crise causada pela Covid-19».

 

Logística e multifamily mostram a sua força

Se a pandemia veio mostrar as fragilidades de alguns segmentos imobiliários, também veio expor a força de outros, como é o caso do setor de industrial e logística, e do Multifamily.

A pandemia veio a revelar as oportunidades do setor de industrial e logística. Segundo a Savills, é imperativo que a capacidade de resposta aumente, com a oferta de instalações de qualidade que estejam 100% preparadas para acomodar novos processos automotivos e que, ao mesmo tempo, tenham dimensão suficiente para permitirem o retorno do investimento realizado na introdução de novas tecnologias.

A consultora acredita que «é expectável que as primeiras evidências da tendência de nearshoring surjam, uma vez que o cenário da pandemia trouxe um impulso adicional ao movimento de reaproximação das unidades produtivas aos mercados de consumo a que se destinam». No entanto, para já os níveis de procura não sofreram alterações significativas neste segmento.

O segmento Multifamily registou um aumento da procura em Espanha, França e no Reino Unido. Portugal não regista ainda alterações da procura neste segmento, já que está ainda em estado embrionário e em fase de estudo no nosso país.