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Covid-19 deverá alterar estratégias dos investidores

Ana Tavares |
Covid-19 deverá alterar estratégias dos investidores

A moldura do imobiliário deverá mudar de cenário, florescendo novas oportunidades geradas pela pressão do mercado e, por outro lado, novas necessidades do lado da procura. E será esta disrupção do mercado imobiliário que segundo os especialistas presentes no webinar “Capital Raising During Market Volatility”, organizado pela Real Estate Fund Intelligence, deverá estar na base da mudança de estratégia dos investidores.

O «stress» e a «pressão» agora vividos poderão forçar algumas empresas a colocar os seus ativos no mercado, apostando numa estratégia de desinvestimento, segundo refere Taylor Mammen, Senior Managing Director & Director of Institutional Advisory Services na RCLCO. Mas, por outro lado, as empresas que apresentam maior resiliência à crise e maior liquidez veem estes ativos como uma nova oportunidade de investimento, sobretudo porque deverão ser colocados no mercado a «preços mais baixos, levando a empresas a ganhar vantagem competitiva». Na perspetiva de Linda McDonald, Senior Vice President and Alpha Investment Research na Segal Marco Advisors, os «fundos oportunistas estão numa melhor posição do que os outros» perante este cenário.

 

Segurança sanitária deverá ter peso na procura

As mudanças na procura também deverão impactar nas estratégias dos investidores. Na perspetiva de Taylor Mammen, os ocupantes dos escritórios deverão apresentar um perfil mais exigente na procura pelo bem-estar e, sobretudo, pela segurança sanitária, dando por isso primazia aos edifícios de escritórios mais amplos e que apresentem sistemas de filtração do ar, por exemplo. Segundo o especialista isto implicará uma revisão nas estratégias dos investidores que deverão optar ou por procurar novos produtos imobiliários com estas características ou por apostar numa reforma dos ativos de forma a irem ao encontro das novas necessidades dos ocupantes.

Ainda assim, estas mudanças só serão mais visíveis dentro de 6 ou 7 meses segundo os especialistas. Para já, a estratégia adotada pela maioria das empresas passa por uma análise interna dos seus portfólios, da gestão das equipas e das margens de capital existentes para enfrentar esta crise.