Arquitetura

Arquitetura adapta-se a “profunda modificação” do trabalho

Ana Tavares |
Arquitetura adapta-se a “profunda modificação” do trabalho

Falando à Vida Imobiliária no Conversas Diárias – Especial Covid-19, André Caiado, diretor da empresa, partilhou que «podemos dizer que funcionamos hoje com 95% de sucesso, o restante tem a ver com a impressão e consulta de algum material físico no escritório».

«Tudo se modificou de uma forma inesperada. Há duas semanas e meia que toda a gente ficou em casa em teletrabalho, e as pessoas podem agora controlar os computadores do escritório a partir dos seus portáteis». Mas o que é certo é que a operação «está a correr bem, os clientes também pedem reuniões online. As visitas aos projetos estão a ser feitas com uma pessoa no local, e com um telefone que vai mostrando á fiscalização e ao arquiteto como a obra está a decorrer. Fazemos reuniões semanais e também conforme é necessário. É uma profunda modificação da forma de trabalhar».

E questiona se nesta caminhada «para um novo paradigma» as pessoas «vão querer voltar a trabalhar no escritório, depois de perceber que podem trabalhar em casa com sucesso». Considera que o escritório será cada vez mais, sim, «um ponto de encontro, de reunião, de satisfação», mas não uma obrigatoriedade.

A crise «vai impactar a forma como desenhamos e fazemos arquitetura. Todos queremos encontrar um espaço onde podemos trabalhar em sossego. Vamos continuar a trabalhar nos escritórios na estratégia colaborativa e no espaço social». E está certo de que «depois da Covid-19, nada será como dantes. Vamos sair daqui com melhor qualidade de vida, mas agora temos de enfrentar esta dificuldade imensa».

 

 “Experiência fantástica” com as autarquias

O responsável partilha também que «a experiência digital com as autarquias está a ser fantástica, as coisas melhoraram», nomeadamente a avaliação dos processos, apesar de a experiência não ser exatamente igual com todas as câmaras.

«O molde antigo foi abandonado, porque fomos obrigados numa situação de urgência. As câmaras respondem, nomeadamente a de Lisboa, na própria semana. Penso que esta solução digital está inclusive a acelerar os processos», completa.

 

Obras não pararam

André Caiado atesta que as obras em que a empresa está envolvida continuam, com as devidas medidas de segurança: «hoje as obras continuam a avançar, com mais cuidado e eventualmente algum atraso. Na generalidade estamos bastante satisfeitos com o seu andamento». Acredita que, a longo prazo, a dúvida está na cadeia de fornecimento, já que muitos dos materiais vêm do estrangeiro.