Luanda: compra de escritórios é tendência num mercado pouco dinâmico

Ana Tavares |
Luanda: compra de escritórios é tendência num mercado pouco dinâmico

 

Esta é uma das principais conclusões do mais recente Flash Mercado Imobiliário Angola 2017-2018, elaborado pela Proprime. Segundo este relatório, o mercado de Luanda continua a sentir a desaceleração da economia e a saída das empresas internacionais, pelo que a absorção de espaços tem sido reduzida.

Consequentemente, os preços e as rendas são pressionados em baixa. O CBD foi a zona onde os valores menos desceram no ano passado, cerca de -7% no preço de compra e -12,5% no preço das rendas, que se fixam nos 6.000 dólares/m² e 70 dólares/m²/mês.

Nas zonas da Cidade e Luanda Sul, as descidas dos dois indicadores, face a 2016, variam entre os 20% e os 30%. Na Cidade, o valor por metro quadrado fixa-se nos 4.138 dólares, enquanto que as rendas médias estão nos 50 dólares/m²/mês. Em Luanda Sul, o valor de compra é de 3.600 dólares/m², e a renda de 45 dólares/m²/mês. As yields variam entre os 14% no caso do CBD e os 15% no caso de Luanda Sul, que seguiram a sua tendência de quebra.

Por outro lado, também se assiste a uma retracção da procura de casas por parte dos expatriados, segundo a consultora, «devido ao reajustamento da presença de muitas multinacionais no país», o que «alterou o paradigma da procura deste tipo de imóveis». Neste momento, os compradores domésticos são o público mais ativo, que procura tipologias maiores.

Os promotores estão a adaptar-se, apostando em moradias T4 e produtos nos segmentos médio e médio-baixo, com os preços médios dos apartamentos e moradias a descer -4% nos apartamentos T3 em Ingombota ou 10,5% nas moradias V3 em Talatona.

Também a hotelaria se ressente com esta tendência, tendo visto a sua performance «negativamente afetada pela saída de muitos expatriados e pela contracção dos planos de investimento das multinacionais», já que é um mercado dominado pelo turismo de negócios. A taxa de ocupação continuou a baixar de 40% em 2016 para 35% em 2017. No entanto, os valores das diárias continuam acima das possibilidades da maior parte dos consumidores domésticos, e a sua descida tem desacelerado. Os preços caíram apenas no caso dos hotéis de 3 estrelas (-12,5%, para 200 dólares), mantendo-se estáveis nos 4 e 5 estrelas, onde a diária custa cerca de 300 a 380 dólares, respectivamente.

Valdire Coelho, director da Proprime Angola, comenta que «a descida no preço do petróleo e a desvalorização do kwanza continuaram a impactar negativamente o país. A crise cambial e a saída dos expatriados do país têm pressionado o mercado imobiliário em baixa, com a atividade hoje sobretudo direccionada para o cliente doméstico». Por isso, calcula que «será um ano desafiante para o imobiliário, face às perspectivas traçadas para o desenvolvimento económico e ao clima da incerteza e expectativa que ainda predomina entre os agentes do sector».

Mas ressalva que «é notória a crescente capacidade de adaptação da promoção e investimento imobiliário ao novo momento do mercado, cujos principais efeitos devem começar a fazer sentir-se em 2018. O actual enquadramento político poderá também influenciar positivamente o desenvolvimento económico e social do país, com reflexos no mercado imobiliário, que mantém um enorme potencial por explorar, sobretudo a nível da diversificação geográfica».