Investimento deve superar os €2.600M em 2018

Ana Tavares |
Investimento deve superar os €2.600M em 2018

 

Durante a conferência “Tendências do Mercado Imobiliário 2018”, promovida pela consultora esta semana, Nuno Nunes, Senior Director de Capital Markets está convicto disso, até porque «só a CBRE gere processos que somam os 1.100 milhões de euros, que esperamos fechar no 1º trimestre do ano».

Depois de um investimento de 2.200 milhões em 2017, o cenário mantém-se positivo pois «temos uma boa base macroeconómica, e há excesso de liquidez nos mercados internacionais. Fundos como a Apollo, Orion, Blackstone ou Lonestar não têm encontrado oportunidades adequadas ao que procuram na Europa, e estão disponíveis para investir centenas de milhões no nosso mercado», avança.

Este ano, o retalho vai representar a maior parte do volume investido, sendo que Nuno Nunes avança que há «8 a 10 centros comerciais a ser transacionados». Seguem-se os escritórios, podendo ser fechadas as vendas de dois edifícios com valores acima dos 30 a 50 milhões de euros. Mais atividade existirá neste setor quanto mais construção (ainda escassa) houver.  «A surpresa poderá vir do setor hoteleiro, a fechar-se a venda de duas unidades acima dos 50 milhões de euros. Poderá ser o 3º setor mais ativo».

 

Vendas de casas baterão novos recordes históricos. 90% foi vendido em planta em 2017

Este ano, o número de vendas de casas deverá atingir um novo recorde histórico: «esperamos superar o recorde de 2006. Basta crescermos 10% ou 12%», explicou Patrícia Clímaco, Partner da Castelhana.

Atualmente, a procura é claramente superior (e desajustada) à registada antes da crise, até porque «nos projetos novos, a procura estrangeira representa 40% a 50%, e não existia nessa altura. E as vendas em planta dominam, representando 90% das vendas», avançou Cristina Arouca, diretora de Research da CBRE.

«A nova oferta em Lisboa vai quase duplicar em 2018, mas será insuficiente», pois vai continuar a centrar-se muito no centro histórico. E vão começar a surgir novas tipologias até T4, mas com dimensões significativamente inferiores às tradicionais para este tipo de casa, «de forma a controlar o valor total», já que o preço médio de venda em Lisboa é de 6.000 euros/m². Preços mais acessíveis, «só quando arrancarem os grandes projetos com mais imóveis fora destas zonas prime», diz a mesma responsável.

 

Portugal tem estabilidade política

Portugal tem hoje em dia estabilidade política, o que poderia não ser fácil de imaginar há 2 anos atrás, como recorda Ricardo Costa, diretor geral de informação da Impresa. «No final do ano passado, Portugal tinha um risco político intacto, segundo a Moody’s, e é um dos países com menos risco político do mundo».

Por outro lado, realça que «Portugal poderá ser o único país da Europa que manteve a sua estrutura política desde antes da crise, dentro desse mesmo sistema partidário e desse mesmo parlamento, encontrou uma solução diferente». Além disso, temos uma grande estabilidade geopolítica, que «é um dado adquirido», lembrou.

Não prevendo riscos financeiros a nível do rating, Ricardo Costa avisa que «há riscos na banca». E considera que «há uma enorme pressão política em alguns setores, como os CTT ou a energia, e mais liberdade noutros, como o imobiliário, o turismo, ou a inovação». Mas nota que «a questão do impacto do turismo no preço do imobiliário é muito sensível, e um Governo de esquerda é muito mais sensível a isso», uma questão que é, aliás, internacional. Seja como for, e não prevendo nenhuma mudança radical, acredita que «o imobiliário não deverá ficar exatamente como está nos próximos 4 a 5 anos».