Luís Lima, Presidente da APEMIP e da CIMLOP
2013-03-11
Reabilitar para repovoar os centros das cidades
Se olharmos para a principal cidade do país e para o mais recente Plano Diretor Municipal de Lisboa, podemos facilmente concluir que a tendência vai no sentido da regeneração e reabilitação da capital, o que inevitavelmente favorecerá o regresso ao centro, algo que já não acontecia há muitos planos diretores, que foram no século passado todos de expansão da cidade. Como várias vezes lembro, em Portugal, como aliás noutros países, as cidades expandiram-se em círculos concêntricos, criando zonas urbanísticas com vocações especificas e estanques, separando as áreas de residência das áreas dos serviços às vezes de forma tão radical que, nos clássicos exemplos dos polos universitários, chega a gerar áreas que são superpovoadas de dia e desertas e assustadores de noite. Por razões historicamente bem identificadas e que também se ligam à irracionalidade das várias políticas habitacionais que se centraram no congelamento das rendas - uma constante no século XX -, os centros das cidades foram degradando-se empurrando os cidadãos para as periferias e para as periferias das periferias. Isto num quadro de permanente atração das cidades que marcou e marca a vida moderna. O mapa das grandes cidades passou a aproximar-se muito mais de um imenso donut, com um buraco negro ao centro, do que da carapaça de uma tartaruga, cujos desenhos são classicamente utilizados para projetar uma urbanização citadina mais equilibrada, agora só possível em muitas cidades se se proceder a uma reabilitação a sério, ou seja uma reabilitação virada para os habitantes, o que implica também preocupações próprias da regeneração dos espaços urbanos. Sabemos que as cidades vão ter de mudar. Todas elas e não exclusivamente as megacidades implantadas em países desenvolvidos ou as cidades mais populosas de países em vias de desenvolvimento. Não sabemos é se as nossas maiores cidades, claramente cidades médias, estão cientes dessa imperiosa necessidade de mudança. Uma mudança que implica procurar reduzir, com eficácia, a sua dependência dos combustíveis fosseis, procurar desenvolver redes de energia inteligentes e "ser verde" não como moda politicamente correta mas pela aceitação ética dessa inevitabilidade. Apostar na Reabilitação Urbana como uma das prioridades a adotar pelo sector da Construção e do Imobiliário, ou melhor, pelo próprio país, é escolher o melhor caminho para uma sociedade que se quer realmente sustentável, além de ser um claro contributo para a própria dinamização da nossa economia. Este é aliás um dos raros comboios em que podemos embarcar para recuperarmos a nossa soberania económica mãe de todas as soberanias. Lê-se no Guia Prático do Certificado Energético da Habitação que um dia todos os edifícios serão verdes. Mas para que isso possa ser uma realidade teremos de encarar a obrigação da reabilitação urbana como um imperativo. Um imperativo mais urgente para Portugal que descura há décadas esta obrigação, que é dos países europeus o que menos tem apostado nesta área e que não está em condições de ignorar a própria agenda Europeia para o crescimento que, como se sabe, nos próximos anos, dará muita atenção à sustentabilidade das cidades europeias. A forma como encaramos as cidades e como as cuidamos é também uma das diferenças positivas deste nosso velho Continente que é a nossa Europa face a outras latitudes do Mundo. E isto faz muita da diferença. Luís Lima Presidente da APEMIP e da CIMLOP luis.lima@apemip.pt
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