nan
2013-05-29
Do Velho Se Faz Novo
Melhor aforismo não há para descrever as perspetivas do mercado de promoção imobiliária dos próximos tempos. De facto, a tendência generalizada dos promotores passa por uma opção clara em operações de reabilitação em detrimento de construção nova.Nos últimos anos, assistimos a um brutal abrandamento do investimento imobiliário em construção nova. Arrisco a dizer que os últimos projetos a arrancar saíram do AutoCAD a medo – quem sabe alguns em verdadeira “fuga para a frente” – e sabemos hoje que a grande parte dos que não saíram terão de ser integralmente reequacionados. Não só será necessário ajustar as soluções preconizadas nos projetos à dura realidade da procura atual, como os economics e o funding que lhes estavam subjacentes são hoje substancialmente diferentes.A pressão demográfica e a dinâmica económica, mormente do emprego e do consumo, pura e simplesmente não justificam a continuação da expansão do parque edificado. Assim, construção nova, só mesmo built-to-suit, e apenas em áreas muito específicas quando o edificado existente não reúna condições físicas para ser adaptado ou falte racionalidade económica a essa adaptação.Por outro lado, os proprietários estão pressionados para encontrar soluções para rentabilizar os ativos que compraram para transformar, ainda que numa lógica de curto prazo. Exige-se, portanto, uma difícil combinação de criatividade e soluções terra--a-terra. Mais do que nunca há que saber ouvir o mercado e ser ágil na resposta.Outra tendência que veio para ficar é a desalavancagem do imobiliário, que terá de encontrar resposta num voltar às origens: parcerias entre proprietários e construtores, club deals, uma análise de risco mais cuidada e, seguramente, operações de menor dimensão.Na própria reabilitação urbana, estrela da companhia do investimento em promoção nos próximos anos, a tendência vai ser para operações mais pequenas e menos profundas e onerosas, grande parte das vezes numa lógica de intervenção fração-a-fração. Sempre que possível as operações serão faseadas, evoluindo em função da resposta efetiva do mercado.Temos vindo a assistir a um longo mas inexorável processo de estreitamento de expectativas entre compradores e vendedores, que começou a dar frutos no final de 2012. Este processo continuará a sua marcha implacável, apenas limitada aqui e ali pelo alto nível de endividamento dos proprietários, que continua a impedir um ajustamento mais rápido e catalisador de mudança. O ajustamento tenderá a acelerar em 2013 em resultado do aumento do nível de fiscalidade associada à detenção de património, com especial enfoque nos prédios urbanos com frações desocupadas.Verifica-se igualmente uma mudança dos players, não só dos próprios atores, mas também do tipo de entidades a intervir no sector. Assistimos já hoje a um fenómeno de regresso de investimento privado de médio-longo prazo em rendas, nos sectores de retalho, escritórios e mesmo no sector residencial, neste último caso impulsionado pelas expectativas criadas pela nova lei das rendas.2013 é, definitivamente, o ano zero da nova lei das rendas, onde se começa a jogar o decisivo papel da sua aplicação e da necessária agilização dos despejos. As perspetivas são neste caso particular bastante animadoras a julgar pelo significativo movimento de negociação entre proprietários e inquilinos a que assistimos já no final de 2012.Realce igualmente para o papel da nova taxa liberatória para os rendimentos prediais e do quadro legal e fiscal associado à reabilitação urbana, que estão efetivamente a criar condições para a entrada de capital novo no mercado.À medida que a rentabilidade dos produtos financeiros se vai lentamente aproximando das suas rentabilidades tradicionais, o mercado imobiliário tenderá a reconquistar o espaço que já foi seu no património dos aforradores. Caso para dizer “do velho se faz novo”.Francisco Sottomayor, Associate Director Development da CBRE
SE JÁ É ASSINANTE FAÇA LOGIN
Ainda não é assinante
Garanta e acompanhe toda a informação da Vida Imobiliária, atual, rigorosa e independente.

Vantagens da assinatura Vida Imobiliária (digital+impressa)

  • Acesso a todos os conteúdos de atualidade em www.vidaimobiliaria.com
  • Informação diária da atualidade de Portugal, Angola e Moçambique
  • Subscrição de E-news de Portugal e Angola
  • Acesso a Edições eletrónicas - Acessível por PC ou tablet
  • Recebe edições impressas da revista Vida Imobiliária
  • Presença gratuita, e exclusiva, nos debates dos Almoços Vida Imobiliária.
  • Desconto 20% na Loja Vida Imobiliária
  • Oferta de livros

Vantagens da assinatura Vida Imobiliária (digital)

  • Acesso a todos os conteúdos de atualidade em www.vidaimobiliaria.com
  • Informação diária da atualidade de Portugal, Angola e Moçambique
  • Subscrição de E-news de Portugal e Angola
  • Acesso a Edições eletrónicas - Acessível por PC ou tablet
  • Escolha a modalidade que mais se adapta às suas necessidades
Digital Trimestral Digital Anual Individual Corparate Trienal
19,99€ 49,99€ 94€ 170€ 220€
- Revista digital
- Acesso a todos os conteúdos digitais
- 10 Edições digitais /ano
- Presença no website
- Desconto exclusivo na loja
- Oferta 1 livro
- Revista em papel
-Revista digital
- Acesso e lugar reservado em eventos
- Desconto exclusivo na loja
- Oferta 2 livros
- 2 Revistas em papel
- Revista digital
- Acesso digital para 20 utilizadores
- Acesso e lugar em eventos para 2 pessoas
- Desconto exclusivo na loja
- Oferta 3 livros
- Revista em papel
- Revista digital
- Acesso digital para 10 utilizadores
- Acesso e lugar em eventos para 2 pessoas
- Desconto exclusivo na loja
- Oferta 3 livros
Para prosseguir com o pedido de assinatura, realize por favor o registo. Em caso de qualquer duvida envie-nos um e-mail para gestao@vidaimobiliaria.com ou ligue-nos para o telefone 22 2085009
ASSINE JÁ