Semana RU

Casa com muitas caras do Fala Atelier vence Prémio Jovens Arquitectos



                      Casa com muitas caras do Fala Atelier vence Prémio Jovens Arquitectos
IV edição do Prémio Jovens Arquitectos.

A celebrar a sua 4.ª edição, o Prémio Jovens Arquitetos recebeu 40 candidaturas de promissores talentos da arquitetura nacional. Esta é uma iniciativa da Vida Imobiliária, em coorganização com os arquitetos Marco Roque Antunes, Paulo Serôdio e Paulo Durão. 

O júri da IV edição do Prémio Jovens Arquitetos, composto pelos arquitetos Ana Herreros Cantis, Hugo Barros (vencedor da edição de 2023 do PJA) e Joana Jordão (vencedora da edição de 2024 do PJA), teve a responsabilidade de selecionar o vencedor. Para esta importante tarefa, o júri contou com o apoio dos curadores da iniciativa, os arquitetos Marco Roque Antunes, Paulo Serôdio e Paulo Durão. 

A qualidade dos projetos a concurso tornou a escolha do vencedor um desafio significativo para o júri. A escolha recaiu sobre o projeto Casa com muitas caras, assinado pelo Fala Atelier. Em segundo lugar, ficou o projeto Ladeirinha, em Fátima, assinado pelo atelier Experimental. Em terceiro lugar, o projeto Casa em Luzim, assinado pelos arquitetos Cíntia Guerreiro e Juliano Ribas. 

O projeto vencedor, Casa com muitas caras, transforma um antigo armazém num espaço habitacional singular. Situado numa parcela longa e estreita, numa zona industrial maioritariamente abandonada, o edifício estabelece um jogo entre geometrias, cores e texturas, onde o antigo e o novo coexistem.

Elementos originais em betão, pedra e madeira são deixados à vista, contrastando com novas adições em metal e tecido, criando uma composição dinâmica e multifacetada. A residência desenvolve-se em torno de um pátio central que divide duas construções: na frente, pequenos apartamentos, enquanto o antigo armazém foi transformado numa ampla sala de estar, marcada por uma parede curva.

Na entrega do galardão, Marco Roque Antunes comentou, em nome da organização, que esta edição «contou com uma grande diversidade de projetos. Sabemos bem os inúmeros obstáculos que os arquitetos tiveram de superar para que hoje possamos ver estas obras concretizadas. A cada nova edição, ambicionamos revelar projetos de arquitetura excecionais, construídos no nosso país por jovens arquitetos, tentando compreender os desafios que enfrentaram e captar o pulsar dos tempos que procuram construir».

Para Joana Jordão, membro do júri deste ano, esta edição ficou marcada por «candidaturas de grande qualidade, tornando a seleção dos vencedores um desafio. Os projetos escolhidos demonstram como os arquitetos portugueses têm conseguido encontrar soluções para as problemáticas do mundo contemporâneo, onde temas como sustentabilidade, habitação e reabilitação assumem um papel central». 

Presente na cerimónia, Avelino Oliveira, Presidente da Ordem dos Arquitectos, sublinhou que «prevaleçam sempre as decisões baseadas no conhecimento e na experiência. Neste prémio, colegas mais experientes que estão a dar oportunidade e a fazer trabalho associativo para beneficiar colegas ainda não tão experientes, mas que já revelam arquitetos de prestígio. A Ordem de Arquitectos está presente para motivar o trabalho que está aqui a ser feito». 

Mesa-redonda de debate

O debate sobre o futuro da arquitetura em Portugal centrou-se nas oportunidades e desafios enfrentados pelos jovens arquitetos, numa mesa-redonda que contou com a participação de figuras de destaque no setor. 

Avelino Oliveira, Presidente da Ordem dos Arquitetos, começou por destacar o crescimento da profissão em Portugal, referindo que «anualmente, registamos uma média de 700 a 800 jovens arquitetos a entrarem para a Ordem dos Arquitetos. Atualmente, contamos com cerca de 30 mil arquitetos inscritos». 

O presidente da Ordem dos Arquitetos destacou que «o ponto positivo é que a arquitetura portuguesa é de excelente qualidade, proporcionando uma vasta experiência. Sentimo-nos confortáveis em qualquer parte do mundo, sendo Portugal uma referência no campo da arquitetura», declarou. Contudo, «o lado negativo está nas condições financeiras para o início da carreira, embora tenha havido algumas melhorias», lamentou.

Por sua vez, André Caiado, CEO da Contacto Atlântico, sublinhou que «os jovens portugueses, ao saírem de Portugal, são acolhidos de braços abertos em qualquer parte da Europa. O universo da arquitetura está em constante evolução e continuará a mudar consideravelmente nas próximas duas décadas». O responsável pela Contacto Atlântico acredita que os jovens arquitetos estão bem preparados para enfrentar as mudanças que estão a acontecer no setor, uma vez que «o mundo pertence a quem se adapta rapidamente à mudança. Tenho grandes expectativas em relação aos jovens arquitetos», frisou.

André Caiado apelou ainda à promoção de oportunidades para os jovens: «devíamos garantir que todos os concursos sejam destinados a pessoas com menos de 35 anos, incentivando os mais novos, que ainda têm vontade e capacidade para ganhar um concurso», explicou.

A sua intervenção também incluiu um pedido aos arquitetos da administração pública, para que «utilizem mais o telemóvel nas comunicações com os mais jovens», pois, «por vezes com uma simples chamada telefónica, um erro mínimo num documento pode ser corrigido no mesmo dia. Os processos de arquitetura são demasiado lentos e demoram imenso tempo a ser aprovados. Quem trabalha em ateliers de arquitetura sofre com a dificuldade de obter licenciamento, o que prejudica tanto os arquitetos como todos os cidadãos», frisou.

Hugo Barros, Membro do Júri do Prémio Jovens Arquitetos, comentou sobre a evolução dos projetos de arquitetura. «O projeto, tal como o conhecemos na arquitetura tradicional, tem sido cada vez mais valorizado na obra. Por vezes, surge uma certa complexidade à volta da arquitetura, que quase oculta o elemento final da construção», referiu. O membro do júri também falou sobre a chegada da inteligência artificial, que «está aí para revolucionar e vai ajudar a resolver muitos problemas que enfrentamos».

Por outro lado, Miguel Duarte, Specification Manager da MAPEI, falou sobre o papel das empresas no apoio à arquitetura, destacando que «a MAPEI tem sido, há muitos anos, uma parceira da arquitetura, oferecendo apoio e suporte técnico com uma equipa especializada que auxilia na fase de projeto, ajudando a encontrar soluções técnicas que respondam às exigências, tanto em termos técnicos como decorativos». O responsável da MAPEI defendeu ainda importância que «é fundamental que empresas como a MAPEI continuem a inovar, apresentando soluções e sistemas que proporcionem maior desempenho e eficácia, mas, acima de tudo, sistemas que garantam uma maior durabilidade».

PUB
PUB