Ana Tavares
2017-08-02
UNIDADES DE ALOJAMENTO LOCAL SOMAM AS 47.000 EM JULHO
São já mais de 47.000 as unidades de alojamento local registadas no Registo Nacional de Alojamento Local.

 

Em entrevista à Vida Imobiliária, Eduardo Miranda, Presidente da ALEP - Associação do Alojamento Local em Portugal, avançou estes números, reportando um crescimento menos acelerado do número de novas unidades de alojamento local em Portugal nos primeiros 4 meses do ano. Já entre junho e julho registou-se «uma explosão de registos», que se deveu «essencialmente ao anúncio e entrada em vigor no dia 1 de julho da nova lei que não permite anúncios sem registos nas plataformas. É um passo importante para o setor, mas não um crescimento real».

Este responsável destaca que «dos 13,5 milhões de dormidas que pagaram taxa turística em Lisboa em 2016, 4,5 milhões vieram do alojamento local, ou seja, 1/3, com tendência a passar a 40% este ano, já que a Airbnb só iniciou a cobrança em maio de 2016. Isto mostra a relevância do AL para o turismo num mercado estratégico», número que, acredita, «não deve ser muito diferente no Porto. No Algarve já era sabido que tinha muito peso, só faltava oficializar». E vai mais longe: «o crescimento do turismo de Lisboa e Porto, nos últimos anos, sem o alojamento local simplesmente não era possível. Nos 6 meses principais de atividade turística, a hotelaria chegou quase ao limite da sua capacidade, o que é ótimo, e que também prova que sem o alojamento local a complementar a oferta não seria possível receber os visitantes adicionais que tivemos».

Em termos de preços, nomeadamente nos centros urbanos de Lisboa e Porto, acompanhados pela ALEP, o crescimento tem sido «gradual. Acima de tudo, tem diminuído a quantidade de titulares a praticar preços demasiado baixos por falta de experiência ou de conhecimento da lógica comercial, atualmente muito virada para reservas de última hora. Como referência, em Lisboa um T1 tem um preço médio de 66 euros que varia entre 54 euros por noite no inverno e 75 euros no verão. No Porto os valores já estão muito próximos de Lisboa. A sazonalidade é que ainda é um pouco maior», explica o mesmo responsável, que completa que «naturalmente, ainda há muita variação nos preços praticados, pois cada oferta é única e tem o seu posicionamento próprio».

T1 é a tipologia mais procurada pelos turistas «em termos numéricos, pois, em geral, as viagens a dois ainda dominam». Contudo, o alojamento local «é forte e traz grandes vantagens aos visitantes na oferta para famílias ou grupos de 4 a 6 viajantes, onde os T2 são os mais procurados».

Eduardo Miranda acredita que, em termos legislativos, as regras que existem já são «bastante completas». Contudo, falta «garantir melhor a aplicação da lei, nomeadamente através da fiscalização», explica, sobretudo visando os que não estão ainda legalizados: «creio que esta é a prioridade pois permite uma limpeza de mercado, um ambiente concorrencial justo, em primeiro lugar com os titulares de AL que cumprem todas as obrigações, mas também em relação à hotelaria».

Apenas 140 proprietários têm 20 unidades ou mais

Em 23.000 titulares de alojamento local registados, 140 possuem 20 ou mais unidades de alojamento local. «A maioria está no Algarve e são empreendimentos que não conseguiram classificação turística. Em Lisboa, existem apenas 22 titulares com 20 ou mais unidades, num universo de 5.000 titulares, representando 12% das unidades de alojamento local nesta cidade».

O número de grandes operadores tem estabilizado, segundo a ALEP. 78% dos proprietários tem até 9 unidades em Lisboa, e 22% tem mais de 10 alojamentos. Por outro lado, a maioria dos titulares (80%) tem apenas uma unidade no mercado, e em Lisboa esse número é de 71,1%, enquanto que no Porto é de 68%. 94% dos proprietários tem 1 a 3 unidades.

Legalização «é a prioridade número um do setor»

Para Eduardo Miranda, «a legalização é para nós a prioridade número um do setor e solução para muitas das questões hoje levantadas». Reiterando o apoio à norma de obrigatoriedade de registo nas plataformas online, explica que «antes da entrada em vigor já estávamos em contato com a Secretaria de Estado do Turismo e com as principais plataformas que já tinham conhecimento das medidas e estão a colaborar no processo. Só precisam de um breve período para finalizar algumas alterações informáticas, mas muitas já fizeram campanha de registo aos anunciantes mesmo antes da publicação da lei».

Para si, «os resultados já são visíveis. Desde o início da veiculação desta medida no final de maio, os registos tiveram um boom sem precedentes. Junho registou o maior recorde de sempre de novos registos e julho vai no mesmo caminho. Tendo em conta que nos primeiros 4 meses do ano, o crescimento era moderado, próximo do ano passado, é correto atribuir este salto a esta nova medida».

Por outro lado, os proprietários ainda não sentem o impacto do aumento da tributação do alojamento local que entrou em vigor este ano, só vão sentir o impacto quando entregarem o IRS, considera o responsável. Mas há outro impacto que se sente, nomeadamente «a falta de confiança, pois as regras fiscais estão sempre a mudar em Portugal. Esperamos que agora haja estabilidade. Isto é fundamental para finalizar o processo de legalização de todos os operadores».

Habitação é um tema «muito localizado»

Para a ALEP, a questão da habitação «é um tema importante, mas muito localizado. O alojamento local está presente em 1.390 freguesias e o debate centra-se quase sempre em 3 ou 4 onde há uma concentração maior. Defendemos um turismo sustentável, este é o princípio do conceito de local e por isto estamos sensíveis a analisar a situação destas freguesias específicas de Lisboa e alguns bairros do Porto».

Para tal, «fizemos uma série de reuniões institucionais onde este foi um dos temas abordados. Há um consenso que o problema da habitação em Lisboa é muito mais complexo, tem várias causas e não é correto, nem produtivo, tentar encontrar um culpado único. Aliás, o alojamento local só está praticamente em 6 das 24 freguesias de Lisboa, nas restantes 18 a sua presença é irrisória. O desafio no qual estamos a colaborar é encontrar um mecanismo na lei que permita atuar apenas nestes casos de exceção. Ou seja, tratar problemas locais com soluções locais, sem contaminar o resto do país. Seria algo inovador a nível mundial».

Considera que «o mais importante e que não deveria ser feito é apresentar medidas avulsas, desenquadradas da realidade e que podem ter um efeito muito perverso, que foi o que aconteceu recentemente com a proposta do PS sobre os condomínios», que classifica como «uma iniciativa infeliz e perigosa para o futuro do setor. Não se pode tratar de uma forma leve uma atividade que hoje é fundamental para o turismo, que emprega milhares de pessoas, na maioria habitantes locais, que só nas grandes cidades proporciona sustento a mais de 7.000 famílias, que está na base da criação de inúmeras pequenas empresas inovadoras, que foi o grande responsável pela reabilitação das habitações dos centros históricos».

«Era importante constituir um grupo de trabalho no Parlamento, em estreita colaboração com a tutela do Turismo, com a participação de outras tutelas, por exemplo habitação e, naturalmente, com a colaboração das associações, pois é uma atividade nova, onde há poucos dados e muita falta de informação e conhecimento. Temos tudo para transformar Portugal num case study nesta área e encontrar uma fórmula equilibrada».

Alojamento local nacional «é dos melhores da Europa»

Eduardo Miranda considera que é importante destacar a qualidade do alojamento local português. «Os nossos hostels há anos são considerados os melhores do mundo. Temos em alojamento local algumas das casas de praia e golfe mais exclusivas do mundo em condomínios do Algarve. Os apartamentos do Porto e Lisboa não tem comparação a nível internacional. Recentemente, os Açores e algumas zonas do interior têm-nos brindado com alojamentos absolutamente fantásticos e únicos em termos de enquadramento. Chega a ser irónico, mas alguns dos estabelecimentos reconhecidos internacionalmente na categoria de boutique hotel, no Algarve e Lisboa por exemplo, são na verdade estabelecimentos de hospedagem, ou seja alojamento local», realça.

Considera ainda que «é pena que muita gente ainda não tenha percebido a importância estratégica que o alojamento local está a ter na oferta turística do país e ainda associa apenas a ideia de low cost. Felizmente os turistas, ou viajantes como gostamos de chamar, já se aperceberam da nossa qualidade. Os números, estes estão à vista», remata.

 

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