Ana Tavares
2016-06-24
Quase metade das camas em Portugal são em alojamento local
A Associação de Hotelaria de Portugal estima que os alojamentos locais representam já 45% das camas disponíveis em todo o país, um número que não tem parado de aumentar.

De acordo com a associação, existem no país cerca de 350.000 camas, sendo que os hotéis e pousadas representam 192.000, enquanto que os alojamentos locais e restantes 158.000 camas. Estes números baseiam-se no Registo Nacional de Alojamento Local, e revelam que Portugal tem já 29.106 registos, 288 deles hostels.

Lisboa tem o maior número de alojamentos deste tipo, num total de 5.057 unidades, absorvendo 43% das camas em alojamento local. Já o Porto tem 1.784 alojamentos, e 7.000 camas disponíveis.

De acordo com o DV, a AHP estima que Portugal já tenha recebido mais 4.78 milhões de turistas este ano do que no mesmo período do ano passado, mais 12,6%, com as dormidas a crescer 12,8%, o que levou a uma subida na taxa de ocupação dos quartos para 54,9%, e do preço médio por quarto vendido para os 62 euros, com a estadia média ainda abaixo das 2 noites. 

Maior parte dos proprietários são particulares e têm até 3 apartamentos

Numa entrevista ao Público, Eduardo Miranda, da Associação do Alojamento Portugal em Portugal, explica que o perfil do empresário de Lisboa «não foge muito do perfil nacional, que é essencialmente formado por particulares que têm no máximo até 3 apartamentos».

Alguns deles, são emigrantes que estão fora do país, outros têm uma segunda habitação em Lisboa, que assim rentabilizam, outras compraram casa no centro histórico e acabaram por se mudar à medida que a família cresceu. Isto no caso de Lisboa, pois no litoral do país 65% dos casos diz respeito a uma segunda habitação.

Por outro lado, há também investidores estrangeiros, mas estes são geralmente «de pequena dimensão», e são os portugueses que olham mais para esta oportunidade de rendimento.  

Este responsável acredita que a diferenciação da hotelaria tradicional passa também por «questões culturais. A maior parte dos portugueses gosta de receber e de servir. Lisboa e Porto têm um ambiente concorrencial, com boa qualidade de imóveis. E isso implica que, por exemplo, quando tenho uma casa que não tem terraço ou piscina ou nada que a diferencie, preciso de compensar de outra forma, nomeadamente, com a qualidade do atendimento», explica à mesma fonte.

E nota que «as as estatísticas mostram que os hotéis estão a crescer em no indicador de receitas por quarto, o que significa que estamos a conseguir conviver bem. É verdade que entendemos mais como concorrentes as outras casas de arrendamento de curta duração, mas há um espírito muito colaborativo. As pessoas ajudam-se, esclarecem dúvidas nas redes sociais, participam em seminários. São concorrentes, mas a relação é de um para quatro mil».

Debate é importante

Cada vez mais se debate o possível excesso de unidades deste género principalmente nos centros históricos. Eduardo Miranda considera que «esse é um debate importante, mas a forma como está a ser feito (com argumentos a favor ou contra) não permite usá-lo como vantagem estratégica. Ou seja, refletir sobre o que está a ter sucesso e o que podemos fazer para o manter, sem estragar». E explica que «há uma grande dificuldade de diálogo porque se está a extremar as posições. O crescimento do turismo causa impacto? Claro, ainda mais em cidades com grande concentração dos pontos de interesse no centros históricos. Criar outros pontos de atração é um dos grandes desafios. Vamos ter em breve os cruzeiros a chegar e há um fluxo, quase normal, de meia dúzia de ruas onde se concentram mais turistas. Isso causa impacto nos habitantes».

Descaracterização ou não, acredita que a verdade é que a cidade está diferente de há 8 anos, «quando havia uma cidade fantasma e abandonada. Hoje temos os mesmos prédios mas recuperados. O centro histórico está bonito, ninguém pode negar. Em relação aos habitantes é preciso monitorizar. Há uma pressão imobiliária, os preços estão a subir, mas é preciso entender porquê. É um problema global de habitação». 

Freguesias históricas vão exigir limites ao AL

Os presidentes das juntas de freguesia da Misericórdia, Santa Maria Maior e São Vicente, em Lisboa, reuniram-se na última 2ª feira para discutir o impacto da atividade da hotelaria, restauração e turismo na qualidade de vida dos moradores.

Num comunicado de imprensa conjunto, referiram que um estudo sobre o impacto do turismo na qualidade de vida dos residentes vai ser encomendado a uma instituição independente, a terminar até ao final de 2016. E, em relação ao alojamento local, querem «urgência» na criação de legislação que restrinja a «proliferação desmedida» dos alojamentos locais e hostels, bem como a revisão do licenciamento zero.

As juntas de freguesia em questão pretendem ainda apelar às entidades policiais que fiscalizem e façam cumprir o despacho do presidente da CML sobre as condições de circulação dos veículos afetos à atividade de animação turística, entre outras medidas. 

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