Ana Tavares
2017-05-26
«Mudança é a única certeza» do futuro do imobiliário
Também o imobiliário tem de se adaptar às exigências do mundo contemporâneo e às rápidas mudanças na vida das pessoas que o utilizam. Quando a incerteza é a palavra de ordem para o futuro, «a mudança é a única certeza» que o mercado parece poder ter.

Pelo menos esta é a opinião de Toby Ogden, da Cushman & Wakefield, e de outros oradores da conferência “The future of real estate”, que esta consultora promoveu a 25 de maio no Palacete Tivoli, em Lisboa. Fazendo um exercício de reflexão sobre o que vai impactar o imobiliário comercial no futuro, a adaptação parece ser chave, como em tudo na vida, já que «o que impacta os humanos impacta o imobiliário», e estamos a falar de «mudanças no uso do espaço, tecnológicas, sociais, económicas, ambientais e geopolíticas».

Os especialistas presentes nesta conferência parecem concordar que as diferenças entre o presente e há uma década a trás fazem antever diferenças ainda maiores para os próximos 10 anos. E a flexibilidade do imobiliário (dos serviços prestados, gestão e da própria infraestrutura) parece ser o caminho mais seguro para enfrentar a mudança.

Como gerir um compromisso longo com um ativo imobiliário quando o mundo muda tão rápido, é a questão que talvez mais se coloca neste tipo de debate. Talvez nos próximos anos este “compromisso” não deva ser tão longo como o foi nas últimas décadas, e os profissionais do setor terão de encontrar novas maneiras de sustentar e desenvolver os seus negócios. Por exemplo, contratos com os ocupantes cada vez mais curtos, mesmo que renováveis, serão cada vez mais comuns, e isto vai obrigar a mudar o mindset de alguns investidores.  Isto pode valer para os vários setores do imobiliário, nomeadamente o logístico, com as mudanças óbvias decorrentes do crescimento do e-commerce. Já se pode falar num “Airbnb dos armazéns”, espaços de armazém que são alugados temporariamente conforme necessário, apontou José Costa Faria, do GEFCO Group.

Darren Yates, da C&W, lembrou neste debate que «a quebra da duração dos contratos de arrendamento estipulados nos últimos anos não parou os recordes de investimento que foram batidos. Não estragou o mercado, o mercado aceita e precisa de mais flexibilidade», explicou, referindo-se ao retalho. No Reino Unido, a maior parte dos contratos de arrendamento passou de cerca de 25 anos para 10 anos desde os anos 90, recordou. «Tudo tem a ver com o mindset dos investidores e a sua visão dos ativos».

Toby Ogden acredita que «os proprietários querem gerar rendimentos seguros, a longo prazo. Pensam se o modelo tradicional será o mais adequado aos dias de hoje, mas a verdade é que o potencial dos novos modelos é muito maior que o modelo tradicional, muito maior do que pensávamos», refere, dando o exemplo de espaços de trabalho partilhados e de coworking, que podem valer 4 a 5 vezes mais que o valor de mercado, até porque é um modelo com mais ocupantes, o que torna o espaço mais rentável, explicam estes especialistas. «As empresas imobiliárias podem passar a ser empresas também de serviços», acredita, aquele que será o “real estate 2.0”.

Outra forma de acautelar as mudanças futuras é tornar um ativo capaz de servir diferentes usos logo de raiz. Rui Dias Alves, da Retur non Ideas, outro dos participantes nesta jornada, acredita que «os espaços devem servir mais usos. Devem ser construídos de forma muito mais adaptável, isso vai ajudar a gerir as expetativas de tudo mudar muito depressa».

Eric van Leuven, Managing Partner da C&W em Portugal, recordou que «o sucesso do passado não é garantia para o sucesso futuro. E não há melhor maneira de honrar o passado como refletir sobre o futuro, que é assustador mas também cheio de oportunidades». 

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