Ana Tavares
2016-02-22
Lisboa, o 7º melhor destino para investir na Europa
A capital portuguesa voltou a subir no ranking das melhores cidades europeias para investir na Europa, ocupando o 7º lugar da tabela elaborada no âmbito do “Emerging Trends in Real Estate Europe”, elaborado pela PwC e pela ULI.

Este ranking, considerado um dos mais importantes barómetros desta atividade, é liderado, este ano, por Berlim, Hamburgo, Dublin, seguidas por, Madrid, Copenhaga e Birmingham. Nos 8º, 9º e 10º lugar estão Milão, Amesterdão e Munique.

O relatório foi oficialmente apresentado a 18 de fevereiro no hotel Sheraton, em Lisboa, por Lisette van Doorn, CEO da ULI Europa, numa apresentação que contou com a presença e abertura de Jorge Figueiredo, da PwC, e Gilberto Jordan, da ULI.

Para Gilberto Jordan, este resultado mostra que «continua a tendência positiva em Lisboa, tendo em conta que nos últimos anos aparecíamos sempre no fim da tabela». E para Lisette van Doorn, «a atividade imobiliária parece estar novamente a correr bem» nas cidades europeias e em Lisboa.

Este relatório baseia-se em inúmeras entrevistas a profissionais do mercado e investidores, que atestam que as perspetivas para 2016 se mantêm positivas, mas no entanto mais cautelosas que no ano passado. A maior parte acredita que a economia europeia, de forma geral, vá recuperar, e menos responderam que esta vá piorar. Consequentemente, o clima é de «franco otimismo» no que diz respeito às expetativas de rentabilidade.

Este ano Lisboa está em 7º lugar nas perspetivas de investimento e em 22º lugar nas perspetivas de promoção, tendo recuado de posição no 2º caso. Aqui, é esperado que as yields atinjam o seu máximo em termos de compressão nos segmentos prime. Aqui, a componente de valorização dos imóveis terá de passar essencialmente por uma subida das rendas, pelo que, de uma forma geral, alguns ativos em localizações secundárias poderão ter rentabilidades superiores.

Jorge Figueiredo, da PwC, um dos participantes no debate que se seguiu à apresentação do estudo, comentou que «depois da saída da troika, assistimos a este crescimento do interesse, apesar de o nosso volume ser pequeno. E o perfil de investidor e dos ativos mudou», realça.

Para Gilberto Jordan, o crescente interesse no país decorre bastante de incentivos como o RRNH ou os “golden visa”, «fortes incentivos aos compradores. Estamos numa altura de boa visibilidade depois de termos sido mal vistos».

José Almeida Guerra, da Rockbuilding, atestou que «sentimos uma maior abertura mas como novas regras, e mais capitais próprios. E há muito dinheiro de fora para investir no nosso país». Salientou, no entanto, que «há 2 questões fundamentais: uma é aumentar o rendimento das famílias, outra é deixar as empresas ganhar dinheiro, estes são os desafios. Mas creio que estamos no bom caminho».

Entre as coisas que terão de mudar em Lisboa para benefício do mercado estão a situação do «imobiliário de rotação, problema que não está resolvido, bem como o dos escritórios, há muitos com falta de qualidade», salientou Almeida Guerra. Jorge Figueiredo acredita que «há necessidade de trazer escritórios e habitação para o centro da cidade. Temos empurrado os habitantes para os subúrbios».

Gilberto Jordan acredita que Lisboa tem «boas infraestruturas, e temos de saber usá-las. Temos talento e qualidade internacional». Relativamente aos preços, considera que «os preços desceram muito» com a crise, «mas se calhar subiram demais. Mas a subida é normal quando há procura internacional, e Londres também é exemplo disso».

No debate os participantes concordaram que Lisboa precisa de investimento a longo prazo, principalmente para dar um novo “boost” à atividade de promoção, o que não acontece atualmente com os investidores que aqui aplicam capital a 3 ou 5 anos, por exemplo. José Almeida Guerra acredita que «temos de fazer mais. Precisamos de capital a longo prazo para transformar as nossas cidades, e estabilidade fiscal». «Os benefícios fiscais anteriores poderão ser revertidos», alertou Jorge Figueiredo, uma situação que «não acontece só em Portugal, mas podemos estar mais dependentes dos estrangeiros do que outros países».

A nível europeu, uma tendência que já se tem sentido nos últimos anos, e agora cada vez mais: os investidores estão cada vez mais focados em cidades, e não em países, o que abona a favor de Lisboa. Torna-se cada vez mais importante saber o que faz uma boa cidade no seu todo, entre acessibilidades, segurança, conectividade,ordenamento do território ou transportes, por exemplo, e trabalhar neste sentido.

Outra importante tendência salientada no estudo é que, este ano, os setores que vão concentrar mais as atenções dos investidores, e vistos como importantes oportunidades, são o comércio de rua, o segmento dos reformados, data centres, residências de estudantes e escritórios partilhados, por esta ordem, numa altura em que a tecnologia terá um papel crescente na madeira de usar os edifícios.

Um dos pontos também destacados neste relatório é aquilo que mais deverá impactar mais os negócios imobiliários dos entrevistados. Segundo os respondentes, a pouca oferta de ativos prime é um dos fatores que poderá ter um impacto negativo, sendo a 1ª razão apontada, e é esperado isto se faça sentir também em Lisboa.   

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