Fernanda Cerqueira
2017-07-13
«É NECESSÁRIA UMA NOVA ABORDAGEM» AOS VISTOS ‘GOLD’, diz Governo
É preciso «recuperar a excelente reputação» de Portugal, voltar a posicionar o país entre «os melhores programas de Vistos Dourados», afirmou o secretário de Estado da Internacionalização apelando a «uma nova abordagem» ao Programa.

O secretário de Estado da Internacionalização demissionário, Jorge Costa Oliveira, falava durante a sessão de abertura do primeiro Fórum Anual dos Empresários Portugueses da Construção no Mundo, promovido pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas – AICCOPN, no dia 12 de julho.

As quebras sucessivas registadas nos últimos meses no volume de investimento captado através do programa de Autorização de Residência para Investimento (ARI), conhecido por regime dos Vistos ‘Gold’, preocupam o setor da construção e também o Governo. Jorge Costa Oliveira garante que «o Governo tem prestado atenção à questão» e que «estão a ser tomadas medidas, nomeadamente, no âmbito do Programa Capitalizar que ajudam a facilitar a captação de investimento e fomento do empreendedorismo».

«Precisamos de voltar a recuperar aquilo que perdemos que foi uma excelente reputação como país com um dos melhores programas de Vistos Dourados» sublinhou notando, contudo, a necessidade de «uma nova abordagem» ao Programa.

O governante reconhece que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tem estado sujeito a «crescentes exigências» sendo «manifesto que não conseguirá dar vazão às necessidades nos próximos anos», razão pela qual apela a que «uma área essencial de captação de investimento em Portugal, como é o imobiliário, tenha uma nova abordagem e que seja feita por entidades com sensibilidade para as questões do investimento e o empreendedorismo». Neste contexto, o secretário de Estado deixou um «apelo público» para que as associações do setor da construção e do imobiliário «não parem a pressão» para retoma e promoção do Programa.

Governo quer «dar prioridade à internacionalização»

A par da captação de investimento estrangeiro, o Governo quer «dar prioridade à internacionalização» das empresas nacionais estando já em desenvolvimento a estrutura do Programa Internacionalizar.

«Cerca de 2/3 do crescimento económico nacional estão alavancados nas exportações», sublinhou Jorge Costa Oliveira, reconhecendo que «se há setor que está internacionalizado, quase foi obrigado à internacionalização, é a construção». Foram mais de 80% as empresas do setor que se internacionalizaram durante os anos mais severos da crise que abalou a economia nacional e especialmente o setor da construção e imobiliário.

Na última década, salientou Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN, «a internacionalização da construção tem crescido cerca de 23% por ano e os números de 2015 apontam para 10,4 mil milhões de euros, sendo o setor de atividade que já representa 16,6% da faturação internacional, relativamente ao negócio com o exterior».

De acordo com o responsável, África representava em termos de internacionalização cerca de 63% e Angola metade, ou cerca de 34%, e Portugal é o segundo país com mais implantação em África e o terceiro na América Latina.

Neste contexto uma das grandes dificuldades reside em encontrar fundos e aceder ao financiamento que apoie as empresas no processo de internacionalização. E «todos os stakeholders parecem alinhados», setor público e privado apostam esforços no acesso ao financiamento, confirmaram Celeste Hagatong Agrellos, Presidente do Conselho de Administração da COSEC – Companhia de Seguros de Crédito, S.A.; Abel Cubal de Almeida, Administrador da SOFID – Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento, Instituição Financeira de Crédito, SA; Inês Jácome, da AICEP Portugal Global, e António Silva Lopes, Administrador da ABARCA – Companhia de Seguros, SA., presentes durante a sessão. 

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